
eu nunca te contei da minha paixão quase que absurda por avenidas enormes.
de vez em quando me pego parada em plena presidente vargas com um aperto no peito. os carros as pessoas o cinza a cidade e a vida: tudo caoticamente encaixado e programado pra seguir em frente apesar da dor do meu peito ou do seu. que ordem de sobrevivência divertidamente lógica resiste entre os universos que colidem já apressados que derrubam o café/deixam cair a pasta/perdem o ônibus
te contei que ando chorando de cansaço na ida e na volta pra casa. você não sabe bem o que dizer, sinto.
eu sou sempre tão fortee quantas vezes te contei da minha eterna metáfora sobre pontes de mão dupla?
sobre cada um cruzar a mesma distância pra depois pular junto
quantas vezes eu sorri ao te lembrar que apaixonar-se para algumas línguas não é nada além de uma queda?
nada além de fall. in. love.
despencar em/no/por amor.
quantas vezes?quando eu contei que gosto de você e cê quis saber seu gosto, eu ri.
ontem descobri.
se eu pudesse perguntar aos buracos-negros qual o sabor da luz eles diriam o seu.mas esse era um texto sobre avenidas enormes porque esse amor faz com que eu me sinta uma
era um texto sobre pontes porque você me faz querer saltar de todas.ai. meu. deus.